quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Só, à espera que alguém se sente.

"Sempre admirei quem seguisse a sua palavra, mas custa quando a palavra é contra nós mesmos. Lutamos tanto e não nos apercebemos que vivemos no erro, porém viver com a dúvida é o pior que existe. Assim, ficamos no erro, confortavelmente abraçado a ele, num sufoco lento como uma valsa mortal. Mesmo assim pensamos que é melhor do que qualquer outra coisa. Apegamo-nos com tudo o que temos, não conseguindo ver mais nada. Porém o tempo passa. Oh! Se passa. Depois de todos os mares navegados, voltamos a terra exaustos, com o pensamento dizimado. Sentimo-nos sozinhos à espera que alguém se sente. Fiquei sozinho no balouço que outrora lhe pertenceu." - in  A mente de Gorki Pavel

Por que será que temos sempre esta tendência de nos magoarmos, repetida e indiscriminadamente quando, aí, não há qualquer esperança que nos conceda a felicidade?


terça-feira, 8 de outubro de 2013

De punhal em riste parti

De punhal em riste parti
No deserto do tempo passei
Queria ir atrás de ti
Matar a saudade, pensei

Caminhei dias a fim
Contigo no pensamento
Esperando dentro de mim
Os teus braços nesse momento

A saudade no peito levei
Com sede de te beijar
Minhas memórias olhei
Para me, fazer chegar

Foi assim que assim cheguei
Cansado, em tempo quente
Foi aí que te falei
Ao coração confidente

Já não me querias de volta
E olhaste-me de soslaio
Chorei com a minha revolta
É agora que daqui saio

De punhal em riste parti
Mas não fui longe, é certo
Lembrei-me sempre de ti
Sempre, de peito aberto

Lembrei-me do teu olhar
Nas chuvas e na emoção
Cansado de caminhar
Fui levado p'lo coração

Foi então que decidi
Pelo punhal e pela dor
À vida meti o fim
Por viver sem teu amor.

Vasco Ribeiro 2013

Não estamos sós.

Há pouco mais de um par de anos, foi encontrado na Rússia um pequeno parafuso. Até aqui nada de especial, ou não fosse o nosso mundo pejado de parafusos por toda a parte, porém este não era um parafuso vulgar, mas sim um parafuso embutido numas rochas como algo metálico fundido nas mesmas. Não deixa de ser curioso que, estas rochas e o parafuso, tenham uma idade de 300 mil anos. É de notar que, o ser humano, seja datado de pouco mais de 80 mil anos de existência, portanto, a comunidade científica ficou intrigada com esse pequeno objecto metálico. De onde veio? Quem o construiu? 

Todos nós ouvimos pelo menos uma história de extraterrestres. Fomos confrontados com este tipo de assuntos principalmente na nossa adolescência, onde entusiasticamente, discutíamos a veracidade do que nos chegava. O tempo passa e deixamo-nos dessas coisas, parecendo que já não faz sentido pensar nisso, relegando para segundo plano a grande questão universal: Estaremos Nós sós? 

Para muitos, estes seres, visitam-nos diariamente, para outros, essas visões não passam disso mesmo; ilusões. Sejam elas absurdas ou muito convincentes, a história está repleta de objectos não identificados em esculturas, pinturas, testemunhos escritos, etc. Mesmo podendo ser interpretados como algo de divino e religioso, pois 98% da população mundial acredita numa entidade superior, existem objectos/seres não identificados que são transversais a todas elas. Discos voadores, seres com aparência humana, bolas de fogo luminosas; tudo existe na riqueza da história ancestral. 

Será que somos o único planeta no universo com vida “inteligente”? 

Muitos dos túmulos das, pouco mais de 19, civilizações existentes e conhecidas até hoje, são verdadeiras obras arquitectónicas, e muitos historiadores crêem que não só eram para imortalizar os seus faraós ou reis numa questão religiosa, mas também de comunicabilidade com seres de outros planetas. Desde as pirâmides do Egipto até aos guerreiros de Terracota deQin Shin Huan - como curiosidade, foi na sua altura que foi construída a Muralha da China -, toda a tecnologia utilizada ainda nos deixa de boca aberta. Será que essa tecnologia foi desenvolvida, ou oferecida? 

Existem muitas teorias sobre a grande questão acima referida, porém quero afastar-me um pouco delas todas. Há sem dúvida factos indissociáveis da imaginação humana e muita teoria  da conspiração (ex: Roswell e Área 51), mas olhando para a diversidade na Terra e todo o conhecimento biológico, chego à mesma conclusão de Carl Sagan no seu fantástico livro “Contacto”; “Seria um desperdício de espaço”, se tudo isto fosse só para nós. 

Vivemos numa galáxia com 500 mil anos-luz de diâmetro, repleta de milhões e milhões de estrelas, planetas, cometas e asteróides. A certeza não se pode ter quando as dimensões são “impossíveis” de medir, portanto só podemos falar de probabilidades quanto às grandes questões da humanidade. Mesmo que exista somente um planeta com vida em cada galáxia (A nossa é bem pequena), mesmo assim existiram biliões de planetas com vida neste universo fantástico. 

Aqui há gato, e é verde!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Bonecas de boca aberta, que não falam.

É um fenómeno à escala nacional que me deixou de queixo caído. Ao que parecer, existe uma proliferação de bonecas que relegam para segundo plano as mulheres japonesas. Para um comum homem latino, isto ultrapassa todos os limites. Como é possível um homem substituir uma mulher por uma boneca, por muito semelhante que possa parecer? Essas bonecas são feitas por encomenda e tudo pode ser construído à vontade do freguês. Mamas grandes, pequenas, coxas largas, silhuetas perfeitas, rabos empinados ou em forma de pêra, lábios carnudos ou finos, tudo pode ser transformado para belo prazer do homem. Não há, porém, um cérebro por detrás da pele “ciliconeada” e de seios fartos. Este fervoroso salto tecnológico, que substituiu as famosas bonecas insufláveis criadas pelos nazis para que as doenças venéreas não se propagassem, tornou-se num caso complicado para gerir por partes da mulher japonesas, que se vêem a braços com uma vida sem homens. 

Hoje em dia, os homens levam a jantar bonecas que não comem, a passear sem que seja preciso falar, e 
o melhor – segundo esses homens -, elas nunca dizem não ao que seja. 
Numa vida repleta de stress, que muitas vezes leva ao suicídio, os homens não têm paciência para dar prazer às mulheres, que por sua vez são exigentes quanto ao carinho e mimo que pretendem. Daí o aumento da compra destas bonecas que não são só “bonitas” e apelativas ao tacto, mas também porque têm a finalidade das suas ancestrais; o Sexo à velocidade do homem que a comprou. Como ouvi dizer um comprador, “Eu quero é despachar-me em 3 minutos e ir dormir, porque estou cansado.”. 

Bem sei que homem e a mulher são diferentes em todos os aspectos, em alguns tiramo-nos do sério uns aos outros, mas será mesmo necessário este corte tão radical da nossa socialização? Será um acto de egoísmo? Este negócio de olhos em bico, faz-me lembrar um filme da minha adolescência; “Cherry 2000”, um protótipo de mulher robot super avançado. Linda de morrer, com uma inteligência artificial por detrás do corpo escultural, fazia o deleite de todos os homens. Parece que a ficção científica se tornou realidade. Já substituímos os cafés pelos chats, o álbum de fotografias pelo facebook, as opiniões pelo twitter, os amigos por muitos conhecidos mas, será que estamos a ficar desumanizados com tanta tecnologia ao ponto de nos substituirmos como seres sociais que somos? 

Não percebo como uma mulher pode ser substituída por uma boneca revestida numa película de silicone. Mais um passo atrás no caminho sinuoso das mulheres asiáticas. Espero que não se propague. Será que os homens também serão substituídos por bonecos Ken de pila grande, ou larga, ou o que seja, que dê prazer às mulheres?


Aqui há gato!  

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Timings e o Acaso.

Uns dizem que é o destino, mas para mim a vida é feita de timings sugeridos pelos acasos. Até aqui a palavra “sugerida” parece digna de deuses, mas não é mais do meu lado mais romantizado das interacções com o mundo. Todos os acontecimentos podem ter um simbolismo do tempo, seja o comboio que não se apanha e o qual devíamos ter apanhado, seja no gostar de alguém, fazer aquela coisa que sempre sonhámos, tudo é uma questão de timing para que aconteça.

Parece que é no alinhamento dos acasos que algo surge como a possibilidade, ou não, de acontecer o que realmente queremos nesse instante. “Ai se eu me tivesse levantado mais cedo da cama, teria apanhado o comboio certo.”; “ Que sorte que tive em não apanha aquele avião que se despenhou!”; “Eu devia ter-me apaixonado por ela agora, mas agora não sinto nada”. Assim se dão os desencontros da vida, entre a aceitação e a rejeição neste caminho sinuoso. Quem nunca gostou de alguém que não gostava de nós e depois, esse mesmo alguém, passou a amar-nos, e nós, distantes?

Agarramo-nos com tudo o que temos para viver numa situação impregnada de vontade e de sonhos. Parece que temos tudo dentro de nós para irromper nesse acaso, acertar as agulhas, fazer o tempo andar para trás para que tudo se alinhe. Uma luta hercúlea que nem mesmo o filho bastardo de Zeus, porá fim. O Cosmos que nos faz girar não se alinha e lutamos contra a força do acaso a toda a hora…

Neste acaso, embutido em todas as nossas vidas, cheias de estrelas e cometas que gravitam a velocidades estonteantes, suspiramos pelo “se”. Se fosse noutro tempo, se fosse noutro tempo, seria uma pessoa mais feliz, mas o “se” não é mais do que o tempo que não volta mais, é um abismo tão infinito e frio como o universo que habitamos. Nem mesmo um grito de ajuda chega à pessoa mais próxima, nem mesmo um amo-te chega para aquecer o coração. Os ponteiros do tempo com o acaso a rir-se de nós, continuam no tic-tac por toda a eternidade.

Como me disseram um dia; “Amanhã o mundo continua a girar”. Quem sabe se o acaso não me surpreende de uma vez por todas. 

Aqui há gato!

A queda do PSD e a vitória de um preso.

Penso que a maioria das pessoas não esperava tantas surpresas como nestas eleições autárquicas. Quem diria que o partido do táxi, quer dizer o CDS-PP, ganharia 5 câmaras e ainda regozijasse com a vitória de Rui Moreira na Câmara do Porto. Adoro quando os partidos que “nada” têm a ver com outras candidaturas se felicitam só porque têm um amigo, de um amigo, que sugeriu Rui Moreira para presidente da Câmara do Porto. Bem, mas isso faz o CDS-PP muito bem, aproveitando os louros dos outros para subir na vida política.

A segunda surpresa da noite, foi a desigualdade percentual entre PS e PSD. Não esperava uma diferença tão grande (PS – 36,5% | PSD – 26,5%), até penso que nem o secretário-geral do PS esperava que, mesmo perdendo alguns bastiões socialistas, podiam chegar a estes números. Gostei também da forma displicente como Pedro Passos Coelho falou aos Portugueses, mas sempre muito em linha com o “Estou-me lixando para as eleições”. É muito humano este rapaz.

A terceira surpresa: A queda do funchal para a esquerda. Foi o choque nacional, foi um anticiclone do camandro. O Jardimquistão acabava de levar 7 tiros no porta-aviões e, agora, prepara-se para ir ao fundo. É uma questão de ler os sinais. Claro que Alberto João Jardim veio logo dizer que a culpa é do PSD do continente. Adoro estas pessoas que nunca assumem as suas responsabilidades, mas até é compreensível para uma pessoa que teve que esconder as contas da Madeira do governo de José Sócrates. Mas que foi surpresa, foi.

Agora, e para acabar, pois o dia já vai longo, quero falar na Grande surpresa, na surpresa tão surpreendentemente surpreendente, que faria o pai natal passar despercebido caso aparecesse. Estou a falar na vitória de Paulo Vistas pelo concelho de Oeiras. Foi com pena minha – vivi 25 anos no concelho de Oeiras -, que vi o Sr. Paulo Vistas a enviar abraços para a prisão com saudade de Isaltino Morais.

De notar que Isaltino Morais está preso pelos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, num processo que se arrastava há perto de 10 anos mas, mesmo assim, ele foi a cabeça por detrás da campanha de Paulo Vistas e até o seu nome - Isaltino Morais - apareceu no púlpito no qual Paulo Vistas falou estridentemente sobre a sua vitória e no grande homem, corrupto, mas grande homem Isaltino Morais que até teve direito a rejúbilos em frente à sua nova residencial, a prisão.

Sempre ouvi dizer que a vida é muito irónica e não deixa de ser irónico o concorrente directo de Paulo Vistas ser o Sr. Francisco Moita Flores, um ex-PJ na área de investigação criminal. Só mesmo no Dartacão é que os bons ganham sempre. Perder as eleições para uma pessoa que é corrupta e está presa, é obra e é uma grande surpresa. O polícia perde para o ladrão.

- Moita Flores, esta foi pior que a tua sessão espírita na Televisão.


Aqui há gato!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Atrocidades humanas

Podiam ser os pais, mas não. São os maridos.
Lá venho eu explorar o Macaco Nu que teima em ser, como sempre foi. Uma notícia  - que me chocou -, fez-me crer que neste mundo o sentido de justiça está longe do nosso alcance e que, muito provavelmente, nunca será minimamente alcançada em países liderados por homens fanáticos e moralmente desinstruídos, sejam eles ou não religiosos. A História da Humanidade está repleta de vilões: Ivan o Terrível, que gostava de ver as pessoas a fritarem ou a cozerem em caldeirões, passando por Vlad, que empalava até mesmo a mais inocente criança. Finalizo com Idi Amin, um fervoroso adepto de matar pessoas com martelos. O mundo veio a habituar-se a todo o tipo de loucuras sem que com isso fizesse o que fosse, para meter fim às atrocidades humanas. Independente da idade, as mulheres sempre foram o alvo preferido dos sistemas castradores, como tal, é preciso salvaguardá-las da ignorância dos seus chefes de estado. Infelizmente não há na História da Humanidade qualquer invasão de países que matam pessoas por excisão, apedrejamento, violação, tráfico de crianças, mulheres, etc. Parece que todos os polícias do mundo (NATO, ONU) ficam cegos.

Hoje escrevo sobre uma menina de 8 anos que morreu na lua-de-mel, após o seu marido de 40, ter tido relações sexuais com ela. Morreu devido às extensas lesões no útero. Toda a notícia é repleta de incongruências: 8 anos, lua-de-mel, marido de 40 anos, relações sexuais. Para juntar mais lenha à fogueira, acresço o facto de que, a menina, foi vendida pelo pai.

Quero distanciar-me do meu lado ocidentalizado para não cometer erros de interpretação, mas não o consigo fazer pois sou um homem perto dos 40 e o qual gostaria muito de ter uma filha. Pergunto-me, em que nundo vivemos? Como tudo isto é possível sem que haja uma mente governativa que proíba este tipo de actos, ou até mesmo, uma autoridade internacional? São crianças que estão em jogo e que são subjugadas aos prazeres carnais de homens sem qualquer tipo de moralidade e, muitos deles, revestidos de poderes divinos. Independentemente de se tratar de um país que é mal visto pelo ocidente, o Yemen, este tipo de situações acontecem em toda a parte do mundo - por exemplo no Brasil algumas crianças perdem a virgindade aos 12-13 anos com homens acima dos 30. É nossa função apontar este tipo de casos, levá-los a debate, fazer com que este tipo de situações não aconteçam.  

Há quatro anos a lei no Yemen tentou ser alterada para que, o casamento só fosse possível com uma idade mínima de 17 anos tentando, na minha perspectiva, salvaguardar as crianças do sexo feminino, porém foi chumbada pelos parlamentares conservadores que consideraram a lei como sendo não-islâmica.

Independente da religião, possa ou não estar por trás das atitudes (a maioria das vezes está), as pessoas deviam ter uma clarividência moral intrínseca que lhes permitissem ter uma lei, mas que, acima de tudo, permitissem saber o que é moral fazer. Para que o simples vislumbre: "Não se pode vender crianças em obriga-las a ter relacionamentos", fosse uma realidade.

Voltando ao princípio, que futuro esperam dar às mulheres, no Yemem, Arábia Saudita, China, Índia, Quirguistão, etc, quando o simples facto de existirem é visto como um mal; um mal necessário?

Aqui há gato, não há?