sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Mochila



Recostou-se no banco e sentiu aquele pequeno solavanco aquando as carruagens se encaixam umas nas outras, prontas para uma viagem sem fim. Levava uma pequena mochila vazia, amarrotada debaixo do braço. Aproveitou para apanhar melhor o cabelo, pois era uma mulher que se prezava. Aquele gesto que o indicador fazia, metendo, primeiramente, a sua cabeleira farta atrás da orelha, era digno de uma sensualidade invulgar. Inspirou fundo fixando o seu olhar no infinito.

O Apito apressava os transeuntes que na plataforma a fumar os últimos cigarros, a despedirem-se em lágrimas de alegria, de abraços sinceros e sorrisos meigos que agasalham qualquer um, nessa tarde fria de Outono.
Naquela estação só partiam comboios. Nunca ninguém vira as locomotivas voltar, parecendo que os carris só tinham um sentido, o de ida para o desconhecido. Talvez fosse esse o facto que levava as pessoas a despedirem-se de forma tão blandícia.
Era assim que começava a sua vida, com pessoas que não conhecia, sítios que só existiam na sua expectativa, sentimentos que não experimentara. A vida começava lentamente a preto e branco e só esta carruagem, com o rama-rame que lhe era inerente, podia dar um pouco de cor à sua visão.
Cada pessoa que lhe era desconhecida na plataforma falava com ela, tentando perceber um pouco quem ela era, ajudando-a a construir uma melhor visão do mundo fora daquele comboio.
Partilhavam as suas experiências, mostravam-lhe o mundo através dos seus olhos coloridos. Deixavam pequenas oferendas, palavras escritas em folhas soltas, pequenos momentos impressos em papel fotografia, por vezes pequenas frases ditas no aconchego de um abraço. Era uma panóplia de pertences que engordavam a sua mochila.
Os anos passavam e chegaria a altura daquela menina, já adulta, sair do comboio. Nunca se soube como esse momento de selecção era feito, mas era algo que sempre tinha ocorrido dessa forma ao longo do tempo. O mundo já não era a preto e branco, tinha cores intensas quase que lhes sentia os seus sabores e cheiros.
Parou, olhou para todo o lado e todos aqueles que outrora lhe afagaram os sentidos, tinham desaparecido. Tinha chegado a hora! Pegou na sua mochila, leve mas carregada de ideias, e deixou aquele comboio.
As portas fecharam-se. Todo o mundo estava à sua frente. Ajustou a mochila ao seu corpo ainda não percebendo que nela, guardava toda a forma de amar, todos os medos e virtudes, que a acompanhariam para todo o sempre fora dos carris que viajou, fora do comboio onde cresceu.
Vasco Ribeiro - 2015

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Conversas com uma Diva da Moda



Nós homens somos de uma limitação incrível e ontem, aquando observava de ouvidos bem abertos, as conversas entre mulheres cheguei à conclusão que jamais compreenderemos as inúmeras regras de indumentária que elas através dos tempos apreenderam. 

Parece que isso passa das mães para as filhas, de amigas para amigas e nós nem nos apercebemos que isto acontece. Parece que estou a vê-las, quando ainda Homo-Neandertal, colhendo bagas de várias cores aconselhando-se: “ Ai, vê lá se dás um corte no pipi, que as silvas embrulham-se todas aí em baixo, que nem o gato desata.”. À parte da minha pouco precisão antropológica, pois os gatos não se davam connosco nessa altura, penso que tudo começou na colheita de bagas de várias cores. As cores, esse marco incontornável de qualquer lápis para os olhos, ou batom, fazem parte dos seus primeiros genes. Já nós homens, que caçávamos e não olhávamos para nada, se não para o raio do Mamute, ficámos atrás no tempo.

Tempo que fez as mulheres elevarem o seu jogo. Enquanto os homens durante séculos usavam cabelo risco ao meio ou ao lado -Eu fui mais à frente, usei à tigela, vá-se lá saber por que razão a minha mãe me dava esse corte-, elas, de cabeleira farta criaram mais de mil penteados. E sabem como é, penteado novo, maquilhagem nova, talvez um vestidinho mais da moda, e entra-se num corrupio que acaba nuns sapatos que são tratados com o amor de um primeiro namorado.

Esta, já longa introdução, leva-me ao que me trouxe aqui. Fiquei de boca aberta quando oiço a regra dos 3Vs. Homens! Sabiam que existe a regra dos 3Vs que não é mais do que o fundamento do equilíbrio indumentário? As 3 verdades absolutas. Só senti o mesmo arrepio quando ouvi pela primeira vez na faculdade uma coisa parecida: Teorema Fundamental do Cálculo Integral. Bem, adiante. Eu que já pensava que era qualquer coisa como: Viver, Ver, Vencer ou Vasco, vais, voar, deparei-me com a magnífica trindade Pernas, Mamas e Costas.

Pois é, ao que consta por aí há linha ténue que separa uma mulher Sexy- Gorgeous e uma rameira de primeira-apanha que aceita vales de refeição como forma de pagamento. Sim, as mulheres metem logo as coisas nesses termos, só para enfatizarem a questão do equilíbrio e que, EU sou uma diva, ELA uma ranhosa. Até aqui são exageradas, mas não sei de onde isto vem. Ao longo da evolução das espécies o que me vêm à cabeça é: “Se morde, há uma grande probabilidade de ser feminino”.

A regra é de ouro, pelo que me constou, e diz dogmaticamente que uma mulher pode usar única e exclusivamente um realce aos seus atributos – Homens! Essa coisa de mulher com peito e coxa gostosa, é rameira, não se fiem! -, dois, ou três atributos realçados e já começará a ouvir comentários vulgares.

Pode levar um decote mais acentuado, sobressaindo um pouco mais o peito, mas nunca e também uma mini-saia, ou vestido que lhe mostre as costas. Leva-se uma mini-saia, nada de grandes decotes e muito menos costas ao léu. Finalmente, se as costas se veem, nada de mostrar a perna ou o vale dos infernos. Mini-saia e decote, só com meias opacas. Que brutalidade para acabar uma conversa!

Depois do nó cego no meu já atulhado cérebro, cunhei a ideia de que estamos noutro paralelo universal no que diz respeito às modas e a todo o dinamismo cosmopolita do século XXI. Juntar cabelo, maquilhagem, os 3V, os sapatos e a pose, deve ser um trabalho dos diabos.

Se as nossas ancestrais Neandertais soubessem o que para aí vinha, não tiravam o raio da silva e comiam uma amora. As mulheres são mesmo melhores e especiais.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Portugal dos Metralhas

Já dizia Abraham Lincoln; “ Se quiseres pôr à prova o carácter de um Homem, dá-lhe poder”. A nossa classe política e a nata da economia têm feito deste país uma profunda amálgama de fraudes e compadrios. Este governo é o exemplo máximo de que, o poder político anda abraçado aos amigos do dinheiro e se, por acaso falhar alguma coisa de um lado, o contribuinte é chamado como um bombeiro se tratasse – com muito respeito que tenho pelos bombeiros -, para apagar o fogo posto por brincadeira.

A minha memória de peixe de aquário, não se lembra de tudo, mas nestes anos de governo, assisti a algumas coisas que, aqui e ali, revelaram o caracter de todos os intervenientes. Começo pelo meu “ódio” de estimação; Paulo Portas, o senhor irrevogável que como bebé chorão fez a birra para subir para número dois do governo do PSD.

Assistiu-se de tudo um pouco, inúmeros orçamentos rectificativos, ondes as contas nunca batiam certo. O governo nunca acertou num número de previsão, mas o mestre Gaspar com toda a sua calma e incompetência lá caiu, mas para director do Departamento de Assuntos Orçamentais do FMI. Não deixa de ser irónico, uma pessoa que não consegue fazer um orçamento de estado que não seja alvo de uma rectificação e controvérsia, salte para um poleiro que tem um nome de “orçamentais do FMI”. Engraçado, também, ver que a instituição que mais pressão fez no País – FMI -, seja a casa que recebe o arquitecto da implementação das medidas da Troika. Faz lembrar os políticos que fecharam contractos principescos com as famosas PPPs e depois foram para CEOs (adoro esta pomposa sigla) dessas mesmas empresas.

Lá vieram as privatizações de empresas estratégicas como a EDP à China Three Gorges, depois a REN aos Chineses da State Grid e aos Árabes da Oman Oil Campany, a Caixa Seguros, seguradoras do grupo Caixa Geral de Depósidos, à Fosun Internacional, também uma empresa Chinesa. Agora está na calha a TAP Portugal. Estamos a vender tudo, mas o que interessa é que o dinheiro lá vai entrado. Não se sebe o que custará depois, mas isso também será um problema não deste governo, mas do outro que aí venha.
Entra-se na moda em salvar os bancos em vez dos estaleiros de Viana ou de outras empresas que contribuem para o PIB. Foi o BPP do senhor  Rendeiro, o BPN de uma maior quadrilha encabeçada por Oliveira e Costa. Senhor que se riu na comissão de inquérito por todas as falcatruas que fez e de como as perpetrou. Agora é o caso do BES, do Novo Banco, do banco mau e da família Espirito Santo. Tudo bons rapazes que no fim serão intocáveis fazendo lembrar o filme, o Bom, o mau e o Vilão.

O estado salva todos os seus amigos e, se não é o estado, há sempre um Granadeiro a meter à revelia dos seus accionistas, 900 milhões na RioForte do grupo GES. Uma mão lava a outra e os favores de outros tempos, mais tarde ou mais cedo, têm de ser pagos. Lá vai por água abaixo, a fusão da PT com a OI, mas o Estado não vê problemas e culpabiliza, segundo Pires de Lima (o senhor que foi contra a austeridade e contra este governo e depois a convite do mesmo, lá se sentou no poleiro), o PS de toda a desordem na PT. Fecham-se umas lojas, despedem-se algumas pessoas, vende-se uns activos e vende-se aos Franceses, será esta a solução.
Vamos ver como a justiça se porta, para julgar a nata deste país que faz todas as fraudes e tropelias e parecem ainda rir-se de nós todos. O Citius não ajuda, é certo, mas é o que há. A aguerrida ministra da Justiça ainda não viu o que fez e, tal como o governo, sempre arranja uma desculpa atrás de desculpa. A educação nunca viu tamanha trapalhada, mas Nuno Crato, ainda se mantem no governo. Não há vergonha na cara e ao estilo de Paulo Portas, lá ficou. Eles são todos escolhidos a dedo.
Deixo de fora a ministra das finanças e o ministro da Saúde, pessoas que, para mim, são acima da média neste governo tricéfalo.

Assim anda este Portugal, onde a múmia nada faz, nem fez, para meter em ordem o governo. Antevejo um tombo, não da cadeira para acabar com este circo, mas nas próximas eleições. A coligação, não ganhará nos próximos 10 anos as eleições e com sorte o PP deixará de ser o partido do táxi e sairá do mapa.

Como foi possível chegarmos ao ponto de nos rebaixarmos a essa coisa chamada Mercados, ao FMI, BCE, Troika e a José Eduardo dos Santos e sua filhota. Parece que o sobrinho deste está a ser investigado por branqueamento de capitais. Talvez se safe, depois de se ter safo de um processo de tráfico de mulheres. Mas como foi possível? Gostamos tanto de nos comparar com os outros países, mas a Espanha não fez nada, a Franca já chamou “ de loucos” os Troikianos e para Italia, são mais é pizzas.

Chego ao fim, pois já me alonguei, finalmente com um vislumbre comparativo da realidade Portuguesa. O país todo está como Miguel Relvas. Vive das aparências. Não interessa que o défice não seja cumprido depois de toda a austeridade, ou que a taxa de desemprego aumente (parece que o estado esqueceu-se dos inúmero emigrantes que temos hoje em dia e que há milhares de pessoas que não fazem já parte dos centros de emprego), ou que os buracos financeiros feitos pela banca sejam pagos pelos contribuintes, os cortes salariais, o corte constante nas acções sociais, etc. Somos como Miguel Relvas, o que interessa é passar a ideia de honestidade e de bons alunos, nem que para isso seja preciso “comprar” 32 cadeiras e mandar para a miséria 20% da população. É preciso mostrar ao mundo que somos pobres mas honrados nas nossas contas. A vida das pessoas é secundária. Como dizia Ulrich, “Ai aguentam, aguentam muito mais.”

Bem, no fundo, todos os irmãos metralhas se safam e se não se safarem há sempre um barco pronto para ir até cabo Verde ter com o Dias Loureiro e por lá ficar com uma conta offshore. Há sempre fuga, não é? Só não há para o contribuinte.
Fechando como comecei, estes são os homens de carácter do nosso País.

Ai Portugal, Portugal! Aqui há gato.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Ninguém ganha, ninguém perde. Tudo na mesma?



Quando se pensava que as Europeias serviriam para mostrar um cartão amarelo-torrado ao governo, o bom português decidiu ficar em casa. Sim, estão no seu direito, mas não venham agora opinar que o governo é chato, que corta pensões e salários, que gera mais desemprego e emigração, que faz crescer a dívida, ou que aumentará os impostos. A essas pessoas exige-se o silêncio. 66,11% de abstenção mostra que existe muita gente que não se interessa pela democracia nem pelos destinos do país na conjectura Europeia. A Europa cada vez mais agrilhoa os estados. Já não interessa quem manda no país, pois tudo o que vem de Bruxelas, FMI ou BCE é lei. Daí a importância destas eleições.

A vitória do PS foi tangencial: 3,76 pontos percentuais acima da Aliança Portugal pelo que não será fácil as legislativas com um diferencial tão pequeno. Esta vitória tornou-se num murro no estômago de António José Seguro, que do cimo do seu surreal pedestal, pensava que esmagava a Aliança PSD/PP. Claro que, para bem do governo, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas ficam com uma maior margem de manobra, perante estes resultados, fazendo figas – como assim li -, para que o secretário-geral do PS se mantenha em funções.

A minha opinião, nada vale. Não sou comentador político, mas vi nas campanhas, acima de tudo, dirigentes a esgrimir argumentos uns contra os outros, deixando o propósito das eleições Europeias para um segundo plano. Não houve uma alma caridosa que falasse das eleições Europeias, de políticas estruturais para melhorar esta velha Europa e até Paulo Portas com o seu populismo de pessoa abjecta, chamou à pedra o Eng. José Sócrates para relembrar o culpado da situação conjectural que Portugal atravessa. É o tipo de gente que não interessa ao país, na minha opinião. Ainda não conseguiu ultrapassar o facto de que José Sócrates, nada teve a ver com a crise das dívidas soberanas. Está-lhe entalado o José!
Passando à frente: A CDU cresceu, como era de prever. Quando o centro é igual (Pedro Passos Coelho é igual a António José Seguro. Dois carreiristas que nunca mostraram trabalho), os extremos ganham sempre uns votos. A CDU tem muitos eleitores fiéis e isso valeu-lhe o 3º lugar. Quanto ao apresentar uma moção de censura, parece-me até infantil o acto, pois só reforçará a oposição, que fará como sempre fez: Transformará a moção num voto de confiança e arrastará para o “fundo” o PS uma vez mais, que atrás das moções corre.
Depois temos Marinho Pinto que com o seu estilo UKIP, ganhou um lugar na Europa. A ver vamos se se conseguirá fazer ouvir lá fora apontando o dedo como tão ferozmente o faz em Portugal.
Vendo um pouco a floresta tento analisar o estado da Europa. Os extremos sejam de esquerda ou de direita, crescem substancialmente no Parlamento Europeu e o bloco central encolhe a olhos vistos. Mesmo com uma abstenção brutal, a Europa está descontente com o modelo Europeu, que com as Troikas e as políticas de austeridade levaram 25 milhões de pessoas para o desemprego, onde muitas delas, jamais deixarão a pobreza. Portanto, vem aí fogo, com as extremas e independentes a gritarem para que a Europa seja remodelada ou, até mesmo, implodida. E como há fogo, o Sr. Barroso sairá de fininho, talvez para Portugal, pois como de seu apanágio, foge sempre quando a situação está difícil. Pena que o Senhor que ninguém conhece, Van Rompuy não lhe siga, por enquanto, a peugadas.
A França e a Inglaterra, dois pesos pesados da economia, não se vão calar até a moeda cair. Farão trinta por uma linha, para que a Europa não fique igual e que possibilite a saída de alguns países da mesma. Ser Europeu não é para todos, só para quem pode. E segundo estes, os PIGS não podem.
Parabéns à Senhora Merkel, Oliren, Barroso, Van Rompuy, Christine Lagarde que, como cataventos dos grandes interesses económicos, nada fizeram para assegurar o projecto europeu. Com tanto eurocéptico não se adivinham grandes tempos. Lá vem a história dos Nacionalismos e Patriotismos exacerbados, que também são perigosos.


Para quem ficou em casa, está tudo bem. Parece-lhes que, se rebentar qualquer coisa, só será para o lado de Bruxelas, mas olhem que não…

Aqui há gato.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Despedidas de solteiro e a decadência sexual

Depois de ver a reportagem abaixo, possivelmente não encontrarei as palavras certas para comentar este tipo de comportamentos. Bem sei que posso passar por careta, que os tempos são outros, mas pergunto-me se poderia casar com uma mulher com este tipo de comportamentos. Não.

Nunca fui a nenhuma despedida de solteiro, digna desse nome. Quando falo em despedida de solteiro cinjo-me única e exclusivamente às festas com muito álcool e géneros desnudado, mão naquilo e aquilo na mão. Não sou antropólogo, mas nos grupos verificam-se o que o ser humano é realmente capaz de fazer. Seja pela violência, ou pelas mais caricatas situações, tudo se pega uns aos outros sem que se finde. Acresce ao facto de, desinibidos pelo álcool, o instinto sexual pode levar-nos a fazer os maiores dos disparates e depois da ressaca a consciência pesar.

Será que o casamento é essa coisa tão má que seja preciso, na noite anterior à cerimónia, deitar-nos com alguém, ou vários, que não seja a noiva ou noivo? Vomitar nos passeios e andar de peito ao léu para todos apalparem? Soube de uma história em tempos, que me chocou: Um rapaz que em plena tabledance, se vira para os amigos e diz: “Grande merda que tenho em casa.”; referindo-se à sua futura mulher, que se via trocada cabalmente por um par de mamas de silicone e um rabo rijo.

Como é possível, metermo-nos a jeito desta forma e desrespeitar aquela pessoa que, devido ao casamento, seria a pessoa com quem queríamos ter tudo? Que noção é esta de que a liberdade após o casamento acaba e que, para tal, há que ter uma noite promiscua?

Claro que, com bebida à mistura, há sempre uma possibilidade de violação, distúrbios e rixas. O Macaco Nu aproveita-se sempre da fragilidade dos outros e claro que por vezes algumas mulheres são apanhadas por homens sóbrios e oportunistas.

Aqui há gato.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Conversas de ginásio I


“Fogo, que gaja tão boa!” - Começamos logo bem – pensei -, enquanto fazia um pouco de supino para que o meu peito chegasse a um 34 copa B e a minha namorada não fugisse com outro, parecido com o Mark Ruffalo. Ouvia este pequeno prelúdio que daria um debate entre dois amigos, que encostados ao parapeito da janela descansavam os seus braços inchados e repletos de veias.

O meus ouvidos tornaram-se afinado, como os daquelas velhotas que estão todo o dia a janela, de robe com cores pardas e sujo dos pombos, que escutam todas as conversas, todas as vidas. Levantei-me da primeira série e meti mais dez quilos em cada lado. Hoje sentia-me imparável mesmo que os meus pulsos sentissem a dor do meu esforço.

“Que cú!”- Toma lá mais uma bujarda, só para saberes como se trabalha bem em Portugal na área do design feminino. Mais uma repetição de dez, mais cinco quilos em cada lado. A minha curiosidade, momentânea, aguça-se. “Quem será o alvo?” – Perguntei-me.

“Cú? E as mamas!?” – Dizia o mais franzino, porém também musculado, tentando separar as águas e metendo ponto assente que, caso tivessem um caso a três não se chateariam, um ficava com a parte de cima, outro com a zona traseira. Achei de amigo esse comentário. É nestas alturas que se vê a grande fraternidade entre os machos. É raro chatearmo-nos por uma mulher. O pessoal divide e não se fala mais nisso. (NOT!)

Na minha última série – quase que precisava de umas cuecas novas, devido ao peso -, senti o abanar das cabeças dos dois amigos, como quem dizia; “ Está aqui tão perto e não posso tocar.”. Foi aí que a minha curiosidade falou mais alto. Ao arrumar as bolachas, olhei para a gazela que estes dois leões gostavam de abocanhar ou, pelo menos, amassar. Era uma instrutora, a mais simpática diga-se de passagem, que sempre com o seu sorriso, andava de estação em estação a ver se alguém precisava de ajuda. O mistério estava desvendado.

Dois segundos depois, “Foda-se, o Jusoé não joga um caralho!” – Ah! exclamei com sensação de alívio, assim está bem. É mais confortável, sentir que os homens estão de volta ao normal. Mulheres! Não se assustem, pois este comportamento é que define o homem, acima de vocês, sempre o futebol. Esta coisa é simples para os homens: Olhou, gostou, avacalhou, mas há que continuar com a musculação, isto é, falar de futebol.

Foram mais de vinte minutos que falaram de bola. Jusoé, Fernando, Gáitan, Luísão e até o relvado, tomaram o espaço outrora ocupado pelo rego das mamas e do rabo; e os seus braços, outrora musculados e repletos de veias, transformavam-se a olhos vistos, em linguinis com tanto tempo de descanso. Estes meninos faziam uma série de dez repetições e descansam quinze minutos. Depois queixavam-se, já nos balneários e em frente ao espelho todos nus, que tinham que tomar suplementos. “Creatina, é que é!”. Não percebo porque é que, alguns, mexem no pirilau quanto estão em frente ao espelho. Reflexos da nossa evolução? Bem, adiante...

Já no banho ainda mandaram uma laracha, mas desta vez, sobre o Quaresma. “Foda-se com aquele penteado não vai longe.”. Dizia isto, um indivíduo que tem o cabelo em cone. Repito, em cone! Parece que a instrutora fora relegada para o último plano e, no fundo, aquelas mamas e aquele cú que quase os separavam, não passavam de um prelúdio que entre halteres desapareceu, dando lugar ao Benfica vs FC Porto desta quarta-feira, onde não existirá um único bom jogador.

Os ginásios são todos iguais, fala-se sempre de futebol com desdém, nunca ninguém é bom. Até já ouvi que o Messi ou o Cristiano Ronaldo são uma merda, e quando passa uma mulher gira, é cu e mamas para todo o lado, é faz e acontece, mordia e palpava, mas no fim o que interessa é, veemente dizer que alguém não joga um caralho. Isto é que é de homem, o resto são circunstâncias.

Aqui há gato!


quinta-feira, 6 de março de 2014

Whatsapp?

Se há coisa com a qual convivo mal, é com o objecto telemóvel tiritante, quando se está a falar com alguém. Há pessoas que não conseguem estar mais do que uma hora sem procurar o contacto visual no seu telemóvel.

No passado, a geringonça só servia para receber e fazer chamadas com uma radiação que fazia levantar os pêlos dos braços e apagar televisões quando se estava por perto, depois lá vieram as mensagens escritas; agora os telemóveis só não fazem tostas mistas por falta de queijo e fiambre. 

É o e-mail que chega, é o facebook que dá um alerta porque alguém fez “like”, é a imagem com frases de cortar os pulsos a falar sobre a vida, é a mensagem que cai, é o toque da amiga ou do amigo, é o twitter que apita, é alguém que publica uma foto no instagram, é o whatsapp que chega. 

Resumindo, é o patati-patatá do dia-a-dia que se encontra conectado ao pequeno visor e com o qual, parece-me, já não é possível não conversar sobre. Parece que o virtual se funde com o real e aí, prefere-se estar a ver o Facebook pelo telemóvel do que a ver um filme com alguém, prefere-se fazer “likes”, do que estar atento ao que outro está a dizer.

Não se apercebem que está sempre um totó (ou uma “totóa”) ao lado, à espera de contacto visual ou de dois dedos de conversa seguidos mas que, nunca chegam, porque há sempre um toque, uma vibração, um piscar de luzes que o remetem para segundo plano. 

Chego à conclusão que quando for grande, quero ser um telemóvel, mas dos bons: Um Iphone 7ª geração com tudo o que tenho direito. A maioria das pessoas não se apercebe deste síndrome. Às vezes até me dá uma certa vontade de rir porque, essas mesmas, são as que criticam o uso abusivo do telemóvel. 

Ainda bem que a tecnologia avançou no ponto de vista da leveza do instrumento senão, seria complicado manusear um telefone de discar antigo, para meter likes e afins, mas mesmo assim, cá desconfio, que as pessoas o fariam. 

Aqui há gato.
Vasco

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Her

Her, é um filme notável, com um excelente argumento o qual nos faz pensar no futuro da nossa sociabilidade. Até que ponto o mundo virtual chegará para colmatar as nossas necessidades afectivas é o cerne da questão deste filme.

Dissertando um pouco pela evolução tecnológica, hoje em dia somos bombardeados com novas oportunidades de expandirmo-nos. Seja através de lugares de conversação online, facebooks, porno-chachadas e afins, tudo tem uma nova dimensão no que toca ao contacto humano. Tanta tecnologia, mas nem por isso, isso nos torna mais “humanos” no conceito romantizado e literário. Vejo pessoas que se apaixonam por o mundo de uma forma virtual, que correm para os telemóveis e computadores para ver quem lhes fez like, quem está do outro lado para poder falar ou até, quem sabe, apaixonar-se. É um rame-rame constante de sons de alerta que disparam a toda a hora. Quem será desta vez que quer contactar comigo? Uma foto bonita e dois dedos de conversa e as pessoas (não generalizo, claro), mudam de curso de vida. Pergunto: Será isto a evolução de todos nós. Terá tudo a tendência para a Entropia?

Será mais real um abraço, ou um smile? Parece que toda a diferença que possa existir nestes dois simples conceitos se dilui no tempo. Já vi pessoas tristes por não receberem os likes suficientes para o seu Ego. Leva-me a crer que há uma dependência da mão virtual que nos afaga o Ego. Vivemos disto nestes tempos. Este filme fez-me pensar em muitas coisas, mas fez-me ter uma “certeza” sobre o lado desumanizado em que nos podemos tornar. Tornamo-nos sós, todos sós, mas rodeados de gentes com as quais não queremos contactos.

Todos cheios de sorrisos por receber simples like. Utilizo aqui a palavra like, não que tenha algo contra o Facebook, mas somente alusivo ao lado virtual do sistema do filme.

Não faço juízos de valor sobre quem depende para viver destes instrumentos saciadores de prazeres ocultos. Cada um é dono e senhor da sua vida, mas este filme genial foca-se no amor que todos queremos sentir e que muitas vezes só é possível através de uma inteligência artificial e não com uma pessoa real.

Seremos sempre presas fáceis para qualquer sistema cuja inteligência só servirá para nos expor as fragilidades e apoderar-se das nossas carências. Mas isso, deixar-nos-á entretidos até ao fim da vida. Por muito que as pessoas pensem num mundo não material, ou até mesmo cibernético, é esse mesmo material cósmico que nos torna reais não o contrário.

Mas… Whatever works.
Vale a pena ver. É muito bom!


Abreijos,
Vasco

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Philomena


Um filme fantástico, com humor e com dramatismo à mistura. Uma excelente interpretação da não menos excelente Judi Dench - Filomena. Uma mulher simples, de humildade exacerbada, que vê, em tenra idade, ser-lhe retirado o fruto do seu pecado (o filho) pelas madres do colégio que frequentava. Nunca desistindo da procura do mesmo em 50 anos, encabeça uma viagem decisiva ao lado de um ex-jornalista da CNN (Martin Sixsmith), um ateu convicto e por vezes arrogante, que lhe proporciona momentos diferentes e de alguma beleza. Uma Amizade de partilha de sentimentos que nos envolve do princípio ao fim, com um pano de fundo negro da história da Igreja Católica. Crença, Religião, Sentimentos, Ateísmo de mãos dadas numa luta constante até ao respeito mútuo.

A título pessoal tenho a dizer que, se fosse 150 anos mais velho, a Judi Dench não me escapava .;)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Marius the maximus

Mais um grupo de, vá chamemos-lhes pelos nomes, filhos de puta que utilizam todas e mais algumas justificações para meter fim à vida de um animal. Tudo se passou num dos países mais desenvolvidos do mundo. Num Zoo dinamarquês, mais propriamente, na sua capital Copenhaga, foi abatida uma girafa “Marius” com 18 meses de idade com a simples justificação: “(…) o macho com 18 meses de vida tinha um elevado grau de parentesco com os restantes sete animais com que coabitava. Combater a endogamia (cruzamento de parentes próximos, o que acaba por não garantir a diversidade genética) poderia causar problemas em futuras crias pela consanguinidade. In Expresso”. 

É ridícula esta justificação para se meter fim à vida de um animal. Costumamos tantas vezes ouvir; “ Tive que abater o meu cão, porque tinha um cancro terminal”, mas nunca “Tive que abater o meu cão, porque a sua mãe (the bitch) vive também com ele.”. 

Choca-me ver que este Zoo é dos mais avançados do mundo e que rejeitou propostas, no meu ponto de vista fabulosas, de outros zoos para ficar com este belo exemplar de animal (uma delas, vindo de um privado - 680 mil dólares). A Associação Europeia de Zoos e Aquários, (que nome tão pomposo para quem não diz não ao abate do Marius), disse que nada podia fazer, pois não era dono do animal, somente responsável pelo mesmo. Assustador, não é? Sou responsável mas nada posso fazer contra o abate. 

Como este abate tinha como base preservar a espécie – sim, é verdade, preservar a espécie é executar para ficar somente com 5 ou 6 animais-, deu-se a tão badalada execução (tiro na cabeça, tão Old School). Posteriormente o seu corpo foi esquartejado, com direito ao visionamento público, incluindo crianças, e lançado aos leões para seu festim.



Só queria acrescentar que há métodos contraceptivos para estes animais de grande porte, porém, veja-se a justificação do zoo; “ (…) o uso de contraceptivos vai contra a ideologia do Zoo.”. Extraordinário, não é? A estupidez humana é mesmo infinita.

Não deixa de ser “engraçado” analisarmos a nossa espécie na grandeza destes actos hediondos. Este tipo de actos, julgamentos, são mais reveladores da nossa soberba do que qualquer outra coisa. Somos mesmo pequeninos.

Aqui há gato, ou melhor, não há girafa.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Momentos que a morte traz

Como escreveu na pedra a poetisa Safo de Lesbos; “ Se a morte fosse um bem, os deuses não seriam imortais.”. Ficamos cientes do medo que clandestinamente vive dentro de todos nós. Se os deuses não morrem, tal acontecimento não pode ser bom. Sendo algo a temer, é algo que só os que cá ficam têm que lidar. Com a morte eleva-se o sentimento adormecido de compaixão e a racionalidade da compreensão. Tomamos as palavras do morto como nossas, as suas vivências passam a ser contadas na primeira pessoa, choramos e rimos filtrados pela vida de quem já não se encontra no mesmo tempo e no mesmo espaço.

É a morte que limpa a alma de quem fica e desloca-nos para o lugar certo neste universo que, vezes e vezes sem conta, tentamos desafiar por pura soberba. Passamos a estar atentos ao nosso interior e aos que irredutivelmente amamos, nem que seja por breves instantes. Escalpelamos todos os porquês do desdouro, tomando a dor do defunto que, inerte, porfiamos dar vida em nós. É este o sentimento-maior que o ser humano tem: Sentir que o que jaz, ainda vive através das palavras e das suas histórias que, tão prematuramente como a sua morte, se tornam nossas para sempre.

Espoliamos literalmente quem num caixão eternamente habitará e, este acto inconsciente torna-se o mais altruísta: Salvar a memória de quem já não a pode salvar. A Morte ensina-nos que o Amor existe, perdoa mais do que vinga, partilha mais do que reserva e oferece o melhor de nós aos que, com dor, viverão até ao seu fim com as memórias de quem já partiu, sempre com a saudade de um último abraço.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A bola de Ouro, patriotismos à parte.


Faltam poucas horas para a atribuição do tão famoso e polémico trofeu. A bola de ouro, que distingue o jogador de eleição do ano passado imortalizará esse jogador para todo o sempre enquanto houver o futebol. Ora as escolhas recaem sobre 3 nomes sonantes do futebol mundial: Cristiano Ronaldo, Messi e Ribéry. 

Sou português, é certo, mas acima de tudo considero-me uma pessoa “imparcial” ao analisar os factos. Ser o melhor jogador do mundo é uma definição muito vaga, pois não se sabe que tipo de requisitos os jogadores têm que possuir para o serem. Marcar muitos golos, terem as fintas mais exuberantes, ser um grande atleta, ter um talento nato, marcar mais golos, ganhar títulos, podiam ser uns desses requisitos, e certamente o serão. 

Cristiano Ronaldo é sem dúvida um fenómeno em todos os aspectos. Não é só um jogador extraordinário, ele é a definição física de atleta de alta competição. No campo faz sempre estragos com os seus remates, fintas e posicionamentos. Quem não gostava de ter o CR7 na sua equipa lá do bairro? Marcou 69 golos que, para um jogador que joga nas alas, são números do outro mundo. 69 golos, caramba, que máquina! 

Depois há Messi. Parece que nem precisa de treinar. É um talento que me faz lembrar Maradona. Um criativo nato em que “ninguém” lhe tira a bola dos pés e todo o futebol do Barcelona passa pelo seu esquerdo. É uma maravilha também vê-lo jogar. É muito rápido no drible, para ser verdade.

Deixei para o fim o menos candidato, potencialmente falando. Digo isto, porque não tem a projecção que as outras estrelas têm, começando logo pelo futebol onde habita. O futebol Alemão não tem o mediatismo do futebol Espanhol e não passa com grande frequência na SporTV, mas estamos a falar de um jogador que mesmo marcando a terça parte dos golos de CR7, ganhou tudo o que havia para ganhar pelo clube. Desde o campeonato Alemão, passando pela liga dos campeões, até ao campeonato de mundo de clubes, Ribéry esteve sempre na equipa, mostrando-se como o “maestro”. 

Penso que não podemos fechar os olhos a este facto. Que os melhores do mundo não podem ser só os virtuosos, mas os que fazem com que os títulos apareçam com muito trabalho. As selecções de todos estes intervenientes estão no mundial deste ano. logo este facto não pode decidir o que quer que seja, pelo que, e pela minha justiça penso ser justo (passo a redundância) a atribuição deste prémio a Ribéry.

Claro que se ele ganhar vai toda a gente cair em cima de Michel François Platini com as inúmeras teorias da conspiração, mas apelo à análise dos factos.

Sinto muito portugueses, mas não estaria a ser honesto comigo mesmo, se dissesse o contrário.

Aqui há gato.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Esta é a nossa Casa...

O Ser humano apareceu há pouco mais de 200 mil anos nesta Terra que habita o Universo há 4,5 mil milhões de anos. Desde os tempos do grande caldeirão de fogo e de uma atmosfera repleta de dióxido de carbono até ao oxigénio, muitos milhões de anos passaram e muitas alterações sofreu este pequeno ponto azul suspenso nesta imensa galáxia engolida num vazio. Nesse tempo a Terra com todos os seus inúmeros ecossistemas, tornou-se “una”, tudo ficou encadeado, o ar, a terra, o Sol, a água e fogo de mãos dadas até ao fim. Cada espécie tinha o seu lugar, nenhuma é nociva ou inútil.
Todas se equilibravam.

Com o aparecimento do Ser Humano e principalmente depois de 1950, o mundo nunca mais foi igual. O crescimento pós segunda guerra mundial, confinou-se ao crescimento económico tendo como base o carvão e o Petróleo. Nunca, até então, se consumiu tamanha quantidade dos mesmos. Hoje, com a necessidade crescente da Agricultura, desenvolveram-se petroquímicos que possibilitam fertilizar terrenos não-aráveis, como desparasitar as colheitas. Para isto tudo, são necessárias muitas toneladas de água e petróleo. Sabemos, hoje, que 70% de toda a água utilizada pelo ser humano, é para a agricultura e criação de gado. Esta agricultura megalómana não serve para matar a fome, mas sim, para a criação dos famosos biocombustíveis e alimentar o gado; gado esse que já não pasta, encontrando-se, agora, em campos de concentração bovino única e exclusivamente para alimentar as sociedades mais desenvolvidas a um ritmo avassalador e à custa de muita água (13000 litros por cada kg de carne). Nunca tivemos tanta abundância e diversidade de alimentos, porém a fome continua a matar milhões de pessoas todos os anos. Desgastamos os solos e muitas das vezes arruinamo-los devido ao abuso de pesticidas; estes, que entram pelos solos adentro e pelos lençóis de água subterrâneos. Contaminamos o ar, exploramos o subsolo, esvaziando a Terra das suas entranhas, somente para satisfazer as nossas exageradas e descabidas necessidades.


O Petróleo está no fim e Nós não queremos ver o seu fim. Tudo na nossa vida depende do ouro negro. Cada vez mais a necessidade de energia é maior, rápido, cada vez mais rápido abrimos a Terra à procura de minerais, gás, gemas e petróleo. Devastamos florestas à procura desses produtos, substituímos a flora por árvores da borracha (biocombustível) e eucaliptos (papel) que destroem toda a vegetação à volta e sugam toda a água dos solos. Os centros urbanos são cada vez maiores, com mais necessidades e ninguém pára para pensar um pouco no que estamos a fazer ao nosso planeta azul e com os nossos semelhantes, onde mil milhões de pessoas passam fome.


Enquanto não pensarmos que tudo está ligado, não existe grande esperança para todos nós e muito menos esperança para as gerações vindouras.
Vivemos num mundo onde se gasta 12 vezes mais em armamento do que em ajudar os países em vias de desenvolvimento, onde 5000 pessoas por dia morrem por não beber água potável enquanto mil milhões não têm qualquer acesso directo a água potável, onde mil milhões passam fome, onde 50% dos grãos/sementes são utilizados em biocombustíveis e na alimentação de gado; onde 40% das terras sofrerão danos irreversíveis devido ao abuso de petroquímicos; onde todos os anos 13 mil milhões de hectares de floresta desaparecem; onde as espécies de animais desaparecem 1000 vezes mais rápido do que o expectável; onde ¾ das zonas piscatórias estão praticamente esgotados; onde o efeito de estufa tem-se agravado derretendo mais de 40% dos calotes polares. Só que isto não passa na TV.

Existem estimativas que apontam para 200 milhões de pessoas refugiadas em 2050, devido às alterações climáticas. Em pouco mais de 100 anos, conseguimos alterar profundamente o legado que nos foi deixado por 4,5 mil milhões de anos da existência deste planeta. O custo das nossas acções é muito alto e muitos, nem envolvidos foram, vêem-se apanhados nesta bola de neve. A luta pela sobrevivência é grande e o ser humano não pode deixar de satisfazer as suas necessidades.

Aquilo que pergunto é o seguinte: Serão suficientes as ciências e a educação para inverter esta tendência, ou terá mesmo razão, Desmond Morris – autor do Macaco Nu -, que o ser humano tem um fundo biológico suicida? Valerá a pena trazer ao mundo um filho?


Não há lugar para pessimismos, eu sei, mas como se resolve um problema exponencial, cuja grande incógnita é o ser Humano? Aqui há gato!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Oui c'est moi.

Aqui está o que faltava no mundo da internet. Quando ninguém quer ser rotulado lá aparece uma aplicação, ou uma app como chamam os técnicos, a fazer o contrário. Ao que consta, os homens que estão filiados no Facebook podem ser alvo de uma votação feminina, sejam elas namoradas, ex-namoradas (foda-se), mães, amigas, amantes, conhecidos, o cão, o gato, ou como li; ”outra coisa qualquer”. Portanto, está tudo autorizado. Através de um algoritmo que vasculha tudo o que é dito sobre essa pessoa, aparecerá uma classificação (0-10) que ficará para sempre – sim, tudo na net é para sempre-, no perfil dessa dessa pessoa nessa app. Já não bastava a classificação IMDB dos filmes, agora também veremos homens cotados em bolsa. Já vejo as mulheres a dizer; “ Ai, eu sou vou ao perfil de homens de 8 para cima!”. Pelo menos é o que faço com os filmes.

Tudo serve para classificar um homem; se é querido, se sabe cozinhar, se tem sentido de humor, se bomba que nem um Robocop ou pensa que sacudir a pilinha é masturbação, se faz bem o Amor ou se pensa que o Pornhub é um léxico de ajuda sentimental, se toma banho, se vai ao ginásio, se gosta de crianças, mas não é padre, se gosta de animais, mas não é padre, se tem um grande pirilau ou se tem uma cova cheia de pêlos, etc. Tudo servirá para que, depois de uma espreitadela, um homem possa ser “escolhido” de acordo com a sua pontuação.

Há pessoas que são a favor – muitos homens pelo que consta-, outras, nem por isso. Na minha opinião não faz grande sentido cotar uma pessoa. O que aprendi com o Facebook, é que é fácil dar cabo de relacionamentos, sejam eles amorosos ou de amizade, por um simples comentário. Agora imaginem se há alguém a prejudicar a pontuação. Vá, é ridículo, proporcionalmente ridículo à pontuação que têm, até porque, e para quem já teve as suas namoradas e namorados, o que é um 10 para um pode ser um 5.5 para outro. E o ser humano gosta tanto de meter defeito em pessoas porreiras.

Já imagino alguns homens a falar entre si: “Epá consegui chegar aos 8.5 no Lulu”, “ As miúdas ficam malucas, criei um perfil falso e já sou um 9.6 no Lulu.” Pois é, esta aplicação chama-se Lulu. Homens! Vamos ser cotados por um Lulu! Não vou tecer mais considerações sobre o nome da app para não ferir susceptibilidades, mas caramba, não havia pelo menos um nome internacionalmente mais forte?

Continuando: Isto tem sempre um lado perverso que chegará cedo. Os homens farão uma mesma aplicação sobre as mulheres mas com outros pormenores mais sórdidos. Sabem como é malandro; malandro não pára, malandro dá um tempo e vai haver muita mulher cotada, não porque saiba cozinhar, mas porque sabe engolir.

Aqui há gato. Se não há, vai haver.
Vasco 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Porto, carago!

Já não ia ao Porto faz mais de 10 anos e quando, ainda jovem, não me surpreendeu aquela cidade. Porém, talvez amadurecido, voltei para desfrutar um pouco da vida dessa cidade. Confesso que se tornou numa agradável surpresa em todos os aspectos. Na simpatia, na gastronomia e na paisagem, óptima para fotografar. A par de me reunir com familiares, a fotografia era também um objectivo. Ficou longe de ser saciado a vontade de fotografar, mas que fique escrito que o Porto é lindo. Quero ver se volto, com mais tempo para fotografar, estar com os meus primos e claro, para comer aquelas sandes de presunto pelas quais ainda salivo.





sábado, 9 de novembro de 2013

Inspirador

Sem dúvida que o Mundo em que vivemos revela-se pejado de problemas e, muitos de nós, jamais teremos a oportunidade de sentir este vídeo de uma forma completa, pelos azares da vida, outras agruras ou incapacidades. Deixem-se contagiar, pela fotografia, pela palavra e pela música. Aqui posto, um discurso inspirador, com imagens não menos inspiradoras onde os sonhadores se deliciarão com a abordagem à vida feita desta forma, tão simples. Faz-me sentido pensar assim e, mesmo que por vezes seja demasiado duro com o Macaco Nu que vive atribulado dentro de nós; podemos fazer melhor, sempre que conhecemos alguém, sempre que nos vemos envolvidos numa situação virtuosa e com potencial. Vamos aproveitar esta magnífica viagem? Vamos, pois é única e intransmissível.
Agradeço ao amigo Hugo por este achado. Parafraseando-o; "Um timelapse resume um pouco o que queremos da vida… fatiá-la para desfrutar das melhores fatias.". Nem mais!
Favor meter em fullscreen

Um dia, nunca é só um dia. É uma dádiva do Universo.
Olhem para o Céu, pelos menos uma vez nesse dia e lembrem-se do quão especial somos neste vasto Universo que nos acolheu, possivelmente, para todo o sempre.


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

São Miguel

Poderia ter sido um desastre, pois o tempo não ajudou. Um nevoeiro cerrado não deixou ver nada mais do que as nossas mãos, porém o que podia ter sido um desaire completo, tornou-se numa excelente experiência pelos Açores com novas descobertas (salto do Cabrito e Salto do Prego) e os inúmeros encantos da região.


Em minha companhia levei, nada mais, nada menos, que as duas melhores amigas – pessoas preponderantes na minha vida e que, contra tudo e contra “todos”, se mantiveram ao longo do tempo ao meu lado -, que tenho. Puxando pela imaginação tentaram chegar à ideia da Lagoa do Fogo ou das Sete cidades, pois com o nevoeiro existente na altura só a imaginação podia dar vida às montanhas e vales de São Miguel. Já de cabisbaixo, o Sol fez das suas e deu um ar de sua graça. Foi no último dia foi possível ver “tudo” e aí mostrar do que é feito aquela terra que toca a magia. Continuo a dizer – não conheço todo o Portugal -, é a região mais bonita de Portugal. Porém, ainda não sabíamos que esse último dia não seria o último, mas sim o penúltimo, pois com o voo de regresso estava cheio, tivemos que ficar mais um dia pelos Açores, onde descobrimos o salto do prego; uma maravilha da natureza. 

Quem sempre nos ajudou foi um Hyundai-Picanto que, sendo um 1000 de cilindrada, fez de 4x4 em subidas íngremes, e pisos manhosos. Que máquina! Qualquer coisa que não fosse uma descida, ou queda livre, não passava dos 60Kms/h, recorrendo sistematicamente à 1ª velocidade para sentirmos todo o seu poder – Nenhum! Ainda bem que tínhamos uma música para descontrair. “Bailámos” ao som dos Velvet Carochinha! Que malha!

Fomos sempre recebidos com um sorriso nos lábios. Gentes de boa rês que facilitam o contacto e o gosto pela terra. Ficámos num hotel bastante simpático (Hotel Arcanjo – Lagoa), com uma excelente relação qualidade/preço. Relembro que, ir a São Miguel à descoberta, não é para fazer Spas ou estar na piscina, portanto, um hotel tem que ter boa cama e pessoas simpáticas à volta, sempre prontos a ajudar. Adorei o pessoal do Hotel. Não me queria ir embora sem dizer que tivemos o prazer de comer num restaurante pitoresco perto do Hotel com uma excelente comida da terra; (Casa de pasto – Restaurante). Vale bem a pena deliciar-nos com tudo o que tem para oferecer.


Foi uma boa viagem, sempre na companhia dos melhores. São estas coisas que interessam na vida. Quem sabe se para o ano não vamos até ao Pico com mais pessoas. Ou então, vá, até Caxias. ;) Lanço o mote.

Aquele abraço,

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Do céu para os Homens

Play me first

Ouve-se um trovão, seguido de um silêncio. Nunca saberemos porque o fazemos, pelo que consta, fazemo-lo desde os primórdios do tempo mantendo assim a ordem e a regeneração de toda a vida no Universo que lhe cabe na palma da mão. Somos aos milhões, voando numa amálgama dourada onde a luz se multiplica a cada bater de asas, num zimbório de calor maternal, um frenesim mudo de corpos despidos pendurados em asas brancas que rodopiam entre o caos e a harmonia até chegar a hora de nos deixarmos ir. É a missão que todos temos, dando continuidade ao tempo até que ele meta fim a si próprio. Aqui também pensamos no que existirá depois do tempo acabar e o porquê de ele existir, levamos connosco essa única curiosidade grandiosa que nos apoquentará até ao fim da nova vida.

Descontraímo-nos. Num último sopro olhamos para trás e contemplamos o que deixamos. Aquilo que os humanos chamam céu, é um simples assento onde vagueamos dentro de nós pensando e repensando o que queremos voltar a fazer e, aí, ninguém sabe em que nos tornaremos. Entramos no carrossel como se o tivéssemos feito desde sempre, andamos em círculos até chegar a nossa vez. Somos sonho, somente isso, vislumbre do que será uma vida depois de nos despirmos de todos os sentimentos e sabedorias. Fechamos os olhos e desconectamos do mundo divino. Abraçamos a morte com um beijo inocente, na saudade de voltar para sempre aos seus braços. 

O corpo contrai-se, resquícios de termos sido outrora humanos. A mão que nos segura, larga-nos num espaço que nos parece infinito. A viagem parece-nos longa, repleta de penas soltas e redopios. Tornamo-nos pesados, tão pesados que as asas são arrancadas do nosso corpo. Gritamos não pela dor, mas pela viagem, que a fizemos vezes sem conta mas que, mesmo assim, sentimos medo. 
 
As imagens apagam-se com o tempo, as memórias soltam-se do espirito. Dá-se o enlace, caímos num mar quente, tão quente como no princípio do tempo. Cegos, sem memória, sem asas, assim nascemos para o mundo empalamado, com o choro de um grito.

- Parabéns, é um menino.

(dedicado à minha querida amiga Vera, com os meus parabéns pela tão difícil conquista)


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O sonho no Inconsciente

Depois de caminhar durante uma vida, chego ao meu mais profundo e inóspito interior. Entre milhares de feixes luminosos, sons e sensações nunca antes sentidas percorro toda minha vida em pouco mais de dois segundos. Dois portões que se perdem numa infinita altura surgem pela frente, parando todo e qualquer movimento da minha caminhada. Este frontispício forjados a ferro fundido, calcinado pelo padrasto tempo, é assustador. Sinto com as minhas mãos um áspero e arrepiante som metálico, aquando forço a entrada. Algo me diz que não devia estar por ali. Pequenas e grandes estátuas movem-se lentamente, olhando para o meu esforço estóico, quase aflitivo para passar a barreira metálica que me encarcerava do lado de fora. Pequenas lascas de pedra saltam dos seus corpos em movimento repousando sem qualquer som num chão rochoso e sujo. Parece que não se moviam faz tempo; muito tempo. O portão fica entreaberto para não mais mover-se. Morre o seu guincho dilacerante. Sinto as centenas de estatuetas semi-humanas fixarem-me no seu curto horizonte. Todo o ambiente é húmido, colorido a cinzento pintalgado de verde seco. Arrepia estar por ali, sozinho. Um pequeno raio de luz atravessa todo o ambiente vindo do céu. Faz-me lembrar quando num dia coberto de nuvens negras um raio de sol abre caminho até ao mar. Esse raio projectava-se sobre uma poltrona, grandiosa e imponente pelos detalhes. Aproximo-me, sempre vigiado pelos inúmeros olhos de pedra que fazem questão de me marcar. Deambulando pelos trilhos do caminho sinuoso, consigo chegar até ao espécime híbrido que se encontra sentado e iluminado. A sua cabeça de cavalo puída pelo tempo começa a estalar, tentando endireitar-se para me olhar. Dou um passo atrás, assustado com o que vejo. De repente o seu único olho interroga o consciente. 

– Que me queres? – Pergunta com desdém. Ainda surpreendido por toda a envolvente respondo-lhe de sobrolho inquisitório. 

- Onde estou? – Começa a murmurar entre dentes uma linguagem que não entendo. Ecoava por todo o lado numa gravidade crescente, fazendo lascar os demais pilares jónicos que seguravam a névoa celestial. Quando olho para trás todas as estatuas estava alinhadas geometricamente. 

– Este é o teu inconsciente.

Entro em sobressalto para tentar perceber o que se passa à minha volta. Ele continua. 

- Foi isto que construíste ao longo dos tempos. Nunca vieste para perceber o teu íntimo e mortal instinto. Esta é a tua profundeza inóspita. Aqui jazem os teus mais profundos pensamentos, os teus receios e os sonhos que nunca quiseste vingar.

Olho em redor, começando a reconhecer as pequenas e grandes estatuetas com alguns objectos nas mãos. Objectos que me traziam resquícios de vontades já passadas e cilindradas pelo tempo. Aquele avião pequeno, aquele tubo de ensaio, um livro, um violino, a bola, a raquete e os demais, implodiram em mim. A saudade encheu-me o pensamento, mas logo sou acordado desse sonho inconsciente.

– Portanto o que te pergunto é o seguinte: Olha para ti como se olhasses para um estranho. O que vês?

As estátuas começam a desfazer-se e as grandes colunas jónicas zumbem ao sabor da queda que as transformam em poeira cimentada. O último a desaparecer foi o híbrido, cuja cabeça de cavalo se transformava a golpes de erosão numa cabeça humana. Reconheci-a.
Acordo com essa pergunta na cabeça. Existe um manuscrito em cima da minha cama, perto da minha cabeça que resvala entre duas almofadas.

“ Vive os teus sonhos. Transforma a tua vida. “
  


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Para que nunca se esqueça.


"Tenho 46 anos, e sou membro do NSDAP desde 1922; membro da SS desde 1934, e da Waffen SS desde 1939. Fui membro da Unidade de Guarda da SS, mais conhecida como Totenkopfvërband desde Dezembro de 1934. Fui administrador dos campos de concentração desde 1934, servindo em Dachau até 1938; Então como auxiliar em Sachsenhausen de 1938 a 5 de Janeiro de 1940, quando fui promovido ao posto de Comandante de Auschwitz.

Permaneci em Auschwitz desde 12 de Janeiro de 1943 e estimo que no mínimo 2,5 milhões de vítimas foram executadas e portanto exterminadas lá por envenenamento gasoso e carbonização, e no mínimo outras 500 mil sucumbiram à doenças e à inanição, totalizando assim aproximadamente 3 milhões de mortes. Esta cifra representa mais ou menos 70 ou 80% de todos os prisioneiros que para Auschwitz foram enviados, os demais foram seleccionados e usados para o trabalho escravo nas indústrias dos campos de concentração; inclui-se dentre os que foram executados aproximadamente 20.000 russos, prisioneiros de guerra que foram entregues em Auschwitz por oficiais da Wehrmacht, e nos transportes da mesma. O restante das vítimas inclui mais ou menos 10.000 judeus alemães e um grande número de cidadãos, maioritariamente judeus, da Holanda, França,Bélgica, Polónia, Hungria, Tchecoslováquia, Grécia e de outros países.

Nós executamos aproximadamente 400.000 judeus Húngaros em Auschwitz no verão de 1944. Execuções em massa através de envenenamento gasoso tiveram início durante o verão de 1941 e continuaram até 1944. Eu, pessoalmente, supervisionei tais execuções em Auschwitz até 12 de Janeiro de 1943, e sei o porquê de ter continuado em minhas funções, na superintendência dos campos de concentração, W V H A, nos quais tais execuções prosseguiram como declarado acima. Todas as execuções por envenenamento gasoso ocorreram sob ordens directas da RHSA (Reichssicherheitshauptamt), eram portanto de sua total responsabilidade. Sendo assim recebi todas as ordens de executar tais genocídios directamente da RSHA. A solução final da questão Judaica significou o completo extermínio de todos os Judeus na Europa.

Outro melhoramento que fizemos em relação ao campo de Treblinka, além do Zyklon B, foi termos construído cada uma de nossas câmaras com capacidade para acomodar 2.000 pessoas, enquanto em Treblinka cada uma de suas dez câmaras tinha capacidade de acomodar 200 pessoas. O modo como nós seleccionávamos nossas vítimas era a seguinte: Nós tínhamos 2 médicos da SS a serviço em Auschwitz, para examinar os prisioneiros recém-chegados. Tais prisioneiros seriam encaminhados para um dos doutores que faria rápidas considerações e decisões acerca do futuro do mesmo. Aqueles que eram compatíveis para o trabalho eram enviados para os campos, enquanto outros eram enviados imediatamente para as instalações de extermínio. Crianças eram invariavelmente eliminadas, pois suas idades as desabilitavam ao trabalho. Ordenaram-me estabelecer instalações de extermínio em Auschwitz em Junho de 1941. Naquele tempo já havia 3 outros campos de extermínio: Belzek, Treblinka e Wolzek. Tais campos estavam sob o Einsatzkommando da SD(Sicherheitsdienst). Visitei Treblinka para descobrir como executar tais extermínios. O Comandante do Campo de Treblinka contou-me que tinha conseguido liquidar 80.000 no curso de metade de um ano e que era encarregado do extermínio de todos os judeus do Gueto de Varsóvia. Ele usou monóxido de Carbono pra tal finalidade, mas não achei que seus métodos eram suficientemente eficientes. Então construí o complexo de extermínio e introduzi o Zyklon B, que era ácido prússico cristalizado. Tal ácido era lançado nas câmaras por um pequeno orifício. Nós sabíamos quando todos já haviam morrido, porque eles paravam de gritar, geralmente esperávamos mais ou menos meia hora antes de abrirmos as portas para remover os corpos. Depois de removidos, tínhamos de tirar os anéis dos cadáveres e extrair seus dentes de ouro.
Auschwitz-Birkenau

Outra benfeitoria em relação à Treblinka, foi que neste supracitado campo, a vítima já tinha conhecimento de que seria aniquilada, já em Auschwitz nós nos esforçávamos para enganar as vítimas, fazendo nas pensar que seriam submetidas a um processo de retirada de piolhos. É claro que frequentemente eles percebiam nossas reais intenções, e tínhamos portanto confusões e dificuldades, devido a este fato. Muitas vezes as mulheres escondiam seus filhos debaixo de suas roupas, mas nós os encontrávamos e mandávamos os mesmos para o extermínio. Tentávamos executar tais extermínios em segredo, mas o terrível e repugnante odor da contínua carbonização dos corpos permeava entre os que viviam em Auschwitz, a ideia do que lá ocorria.

Nós recebíamos de tempo em tempo prisioneiros especiais do gabinete da Gestapo. O médico da SS assassinava tais prisioneiros por injecções de Benzeno. Tais médicos tinham ordens para forjar certificados de óbito comuns e pôr nos mesmos quaisquer razões para todas as mortes. De vez em vez conduzíamos experimentos médicos em prisioneiras, incluindo esterilização e experimentos relacionados ao câncer. A maioria das pessoas que morriam nestas experiências já haviam sido condenadas à morte pela Gestapo.

A declaração acima é veraz, por mim ela foi feita voluntariamente, sem qualquer tipo imposição. Tenho assinando-a em Nuremberga, Alemanha, em 4 de Abril de 1946”. — Excerto do testemunho dado por Rudolf Hoss no Julgamento de Nuremberg.